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Seat chega ao fim da linha no grupo Volkswagen

O Grupo Volkswagen está a viver um dos momentos mais críticos da sua história e as notícias que chegam da Alemanha apontam para uma reestruturação profunda, com consequências diretas no portefólio de marcas. De acordo com a imprensa alemã, a administração da Volkswagen já aprovou um plano que prevê a descontinuação da marca Seat, no máximo, até ao final de 2029.

A ideia é concentrar os investimentos na Cupra, a marca desportiva que nasceu no seio da Seat e que, nos últimos anos, tem mostrado maior potencial de crescimento e rentabilidade. A decisão, ainda não confirmada oficialmente, será discutida esta sexta-feira pelo conselho de supervisão do grupo. A verdade é que a Seat, apesar da sua longa história em Espanha, já não faz parte da visão estratégica do grupo para 2030. Esta medida drástica surge no âmbito do “Future Plan 2030”, um programa que visa cortar custos, simplificar a estrutura do grupo e aumentar a eficiência.

A crise profunda na Volkswagen

A decisão de colocar a Seat de lado é apenas a ponta do icebergue de uma crise que se arrasta há meses na Volkswagen. A empresa alemã enfrenta uma tempestade perfeita: a concorrência feroz dos fabricantes chineses no mercado dos elétricos, a quebra significativa das vendas na China, os custos de produção elevados na Alemanha e o impacto das guerras tarifárias. Os números são preocupantes. Em 2025, o lucro operacional do grupo caiu para metade e a margem operacional no primeiro semestre de 2026 ficou nos 3,8%, muito longe dos 7,9% registados em 2022.

Para tentar travar a sangria, a administração, liderada por Oliver Blume, está a implementar o maior plano de reestruturação da sua história. O conselho de supervisão já aprovou cortes que podem chegar aos 100 mil postos de trabalho em todo o mundo, através de reformas antecipadas, não substituição de saídas e redução de quadros administrativos. Além disso, o encerramento de quatro fábricas na Alemanha está em cima da mesa: Emden, Zwickau, Hannover e a unidade da Audi em Neckarsulm, com prazos que se estendem até 2034. A ideia é reduzir a capacidade produtiva e simplificar a gama de modelos, que poderá ser cortada para metade.

Autoeuropa: uma ilha de estabilidade em Portugal

Num contexto de cortes tão severos, a pergunta que se impõe é: o que acontece à fábrica da Autoeuropa, em Palmela? A resposta, para já, é de otimismo cauteloso. A comissão de trabalhadores da unidade portuguesa garante que não há qualquer indicação de que a Autoeuropa esteja incluída neste processo de reestruturação. Pelo contrário, a fábrica está a ser preparada para o futuro.

A Autoeuropa está a passar por uma profunda remodelação para começar a produzir, no final de 2027, o novo Volkswagen ID.1, o modelo 100% elétrico de entrada de gama do grupo. Este investimento garante carga de trabalho para a unidade para lá do atual ciclo de vida do T-Roc, um dos maiores sucessos comerciais da marca na Europa. Além disso, a fábrica de Palmela já não produz carros da Seat, o que a coloca numa posição mais segura face à decisão de descontinuar a marca espanhola. A Autoeuropa emprega cerca de 4.800 pessoas e, para já, o horizonte é de estabilidade e de eletrificação, com a produção de veículos a gasolina a terminar em 2026.

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