Primeiro, o Il Canto degli Italiani, depois, o Deutschlandlied: tem sido esta a principal banda sonora da Fórmula 1 na presente temporada, já que Kimi Antonelli e a Mercedes foram os grandes destaques da primeira metade da época. O jovem piloto italiano que se encontra na segunda época na modalidade lidera o Mundial de Pilotos com 219 pontos, mais 50 do que o segundo colocado, Lewis Hamilton. Por comparação directa com o seu colega de equipa, George Russell, Antonelli leva um avanço de 59 pontos, o equivalente a mais de dois Grandes Prémios.
Se compararmos com o período homólogo relativo a 2025, também foi o jovem italiano quem mais pontos amealhou nesta primeira metade da temporada – Antonelli tinha 64 pontos após o GP da Hungria da época transacta, ao passo que agora tem 219, um diferencial de 155 pontos. Contudo, importa notar que se disputaram menos pontos até ao momento na presente temporada por comparação com a anterior.


É que, em virtude do conflito no Irão, a FIA decidiu cancelar os Grandes Prémios do Bahrain e da Arábia Saudita. O GP do Bahrain foi, entretanto, reagendado para o início de Outubro e irá decorrer no traçado de Sepang, na Malásia. Para além destas duas provas, também não decorreu o já habitual GP da Emilia Romagna, uma vez que este foi substituído na presente temporada pelo GP de Espanha, a disputar no novo traçado de Madrid em Setembro. Assim, estiveram em disputa – até ao momento -, 307 pontos, ao passo que na época passada, por esta altura, se haviam disputado 374.
Os destaques pela positiva: Antonelli e Hamilton (e… Hadjar)
Ao utilizar um factor de ajustamento para mais facilmente comparar os pontos de cada piloto face ao período homólogo da época passada, é possível ver que Antonelli se mantém como o grande destaque pela positiva. O jovem piloto da Mercedes conseguiu mais 166 pontos face aos obtidos na primeira metade da época transacta com ajustamento, o que equivale a quase sete Grandes Prémios.
Destaque ainda para Hamilton que – depois de uma época de estreia na Ferrari bastante atribulada – parece ter ‘feito as pazes’ com os bons resultados e ocupa o segundo posto no Mundial de Pilotos. Por comparação com a época passada e após ajustamento, o experiente piloto britânico soma mais 80 pontos e conseguiu, finalmente, o primeiro triunfo ao serviço dos tiffosi no GP de Barcelona-Catalunha.
Por fim, também Isack Hadjar tem estado em bom plano por comparação com o mesmo período da época transacta. O jovem piloto francês trocou a Racing Bulls pela ‘equipa mãe’ – Red Bull – e conseguiu mais 50 pontos, após ajustamento. O piloto francês parece ser o segundo piloto que a Red Bull ambicionava ter após a saída de Sergio Pérez e as expectativas são altas para ver o que Hadjar conseguirá fazer na segunda metade da temporada.


As desilusões da temporada: Piastri e… Russell
Pela negativa, o destaque vai para Oscar Piastri que, há um ano, liderava o Mundial de Pilotos e, actualmente, ocupa o sétimo posto. Embora seja notória a falta de ritmo da McLaren na presente temporada por comparação com a Mercedes e a Ferrari, o australiano tem estado uns furos abaixo do seu colega de equipa e Campeão do Mundo em título, Lando Norris. Já o britânico que face à época passada, após ajustamento, somou menos 98 pontos parece estar num momento de forma ascendente, tendo vencido a última corrida disputada – o Grande Prémio da Hungria, ao passo que Piastri se viu forçado a retirar o seu MCL40.
Também Max Verstappen aparece como um dos pilotos que menos pontuou na presente temporada face à passada, com um défice de 45 pontos. Ainda assim, e atendendo aos problemas com que a Red Bull se tem deparado ao nível aerodinâmico do seu monolugar, o neerlandês tem feito resultados satisfatórios, apenas não terminando em lugares de pontos por três ocasiões. Verstappen fez uma recuperação histórica na temporada passada após a pausa de Verão, tendo terminado a época no segundo posto, somente a dois pontos de Norris, um cenário que parece irrealista na presente temporada uma vez que o próprio responsável da Red Bull – Laurent Mekies – já admitiu que o foco da equipa está no monolugar para 2027.


Apesar de não ter um diferencial de pontos tão acentuado como os três pilotos mencionados acima, parece ser incontornável o quão decepcionante tem sido a época de George Russell. Parecia que 2026 poderia ser, finalmente, ‘o ano’ do piloto britânico – não apenas pela época bem conseguida em 2025, mas acima de tudo por estar na equipa que apresentou o melhor monolugar na presente temporada. Russell começou a época da melhor maneira e carimbou um triunfo no GP da Austrália mas, logo de seguida, viu o seu colega de equipa, Antonelli, somar cinco triunfos consecutivos e isolar-se na tabela do Mundial de Pilotos. Desde então, o britânico apenas voltou a triunfar mais uma vez no GP da Áustria, e até perdeu o segundo posto no Campeonato para o compatriota, Hamilton. Apesar da superioridade do W17, Russell tem tido dificuldades em apresentar um ritmo competitivo ao nível de Antonelli e a pressão tem-se abatido sobre o piloto natural de Norfolk.
2026 tem sido o ano da Mercedes
Depois da entrada em vigor dos novos regulamentos, a Mercedes tem sido o grande destaque no Mundial de Constructores. A equipa liderada por Toto Wolff parece ter acertado não apenas no chassis, mas também na unidade motriz e soma 379 pontos, mais 185 do que na época passada, após ajustamento. Para se ter uma ideia, a equipa sediada em Brackley conquistou mais de 70% das vitórias na presente temporada, tendo conseguido oito triunfos nas 11 corridas já disputadas.
Apesar da hegemonia da Mercedes na presente temporada, certo é que – nos últimos cinco Grandes Prémios -, a equipa alemã apenas conseguiu dois triunfos: Russell na Áustria e Antonelli na Bélgica. Nesse mesmo período, a Ferrari conseguiu duas vitórias e a McLaren obteve uma. Estas últimas corridas fazem antever uma segunda metade de época mais equilibrada com uma possível intromissão dos tiffosi e da equipa ‘papaia’ na luta pelas vitórias, ainda que a Mercedes tenha vários pacotes de upgrades preparados para o desenvolvimento do seu monolugar.

E se a Ferrari também parece ter dado um salto qualitativo face à temporada transacta, uma das desilusões da presente época parece ser a McLaren. A equipa liderada por Andrea Stella venceu os dois últimos Mundiais de Constructores, mas na presente temporada obteve menos de metade dos pontos – após ajustamento – que havia conseguido no período homólogo em 2025. Apesar disto, importa notar que a equipa sediada em Woking está numa curva ascendente nas últimas corridas e até registou a primeira vitória da temporada na última prova, com Norris a carimbar o triunfo no traçado de Hungaroring.
Por agora, na luta pelo Mundial de Constructores, a Mercedes segue isolada com 379 pontos, mais 72 do que a segunda classificada, Ferrari. A actual bicampeã do Mundo, McLaren, encontra-se no terceiro posto com 220 pontos, seguida pela Red Bull que soma 177.
As surpresas no midfield e o pesadelo na Aston Martin
Na luta pelo lugar de ‘best of the rest’, a Racing Bulls está a levar a melhor e ocupa a quinta posição no Mundial de Constructores com 66 pontos. Apesar da intensa disputa interna entre Liam Lawson e o rookie Arvid Lindblad, a ‘equipa irmã’ da Red Bull tem conseguido colher os dividendos de um monolugar que se adaptou bastante bem à mudança de regulamentos.
A Racing Bulls é seguida de perto pela Alpine que fez um óptimo arranque de temporada. Depois de uma época para esquecer em 2025, a equipa liderada por Flavio Briatore voltou a encontrar-se com os bons resultados, em grande medida pela introdução de unidades motrizes Mercedes no A526. O resultado tem sido bastante animador, uma vez que a Alpine quase quadruplicou os pontos obtidos no período homólogo de 2025, após ajustamento.

Já para a Williams e a Aston Martin, a presente temporada não está a ser propriamente animadora. No caso da histórica equipa britânica fundada por Frank Williams – que até terminou como ‘best of the rest’ em 2025 -, apenas conseguiu obter 11 pontos, face aos 58 conseguidos no ano passado, após ajustamento. Certo é que parece ‘reinar o desnorte’ na Williams, numa altura em que o próprio responsável da escuderia – James Vowles – veio a público falar sobre as dificuldades que a equipa enfrenta no desenvolvimento do seu monolugar.
E se o cenário tem sido desolador para a Williams, na Aston Martin parece viver-se um autêntico pesadelo. A equipa partia como uma das possíveis grandes surpresas para a presente temporada, em virtude da mudança de regulamentos e da contratação do altamente consagrado Adrian Newey. No entanto, os resultados da parceria com a Honda – que fornece a unidade motriz – têm sido bastante desapontantes, e a equipa detida por Lawrence Stroll apenas somou um ponto na presente temporada. Ainda assim, a equipa já anunciou a introdução de uma nova unidade motriz no GP dos Países Baixos que poderá aumentar a competitividade dos monolugares conduzidos por Fernando Alonso e Lance Stroll.

Por fim, destaque ainda para a Cadillac que se encontra na sua primeira época na modalidade. Apesar de ter terminado em lugares de pontos no GP do Mónaco, Sergio Pérez foi penalizado em dez segundos e acabou ‘atirado’ para a décima quinta posição, não somando qualquer ponto. Assim, a equipa norte-americana ocupa o último posto no Mundial de Constructores sem ainda ter conseguido pontuar.
Confira a classificação do Mundial de Pilotos de Fórmula 1 em 2026 após o décimo primeiro Grande Prémio, com o diferencial ajustado de pontos face à época passada:
| Pos 2026 | Piloto | País | Equipa | Pts 2026 | Pos 2025 | +/- Pos | Pts 2025 | Pts 2025 Ajustados | +/- Pts |
| 1 | Kimi Antonelli | ITA | Mercedes | 219 | 7 | 6 | 64 | 53 | 166 |
| 2 | Lewis Hamilton | GBR | Ferrari | 169 | 6 | 4 | 109 | 89 | 80 |
| 3 | George Russell | GBR | Mercedes | 160 | 4 | 1 | 172 | 141 | 19 |
| 4 | Charles Leclerc | MON | Ferrari | 138 | 5 | 1 | 151 | 124 | 14 |
| 5 | Lando Norris | GBR | McLaren | 128 | 2 | -3 | 275 | 226 | -98 |
| 6 | Max Verstappen | NED | Red Bull | 109 | 3 | -3 | 187 | 154 | -45 |
| 7 | Oscar Piastri | AUS | McLaren | 92 | 1 | -6 | 284 | 233 | -141 |
| 8 | Isack Hadjar | FRA | Red Bull | 68 | 13 | 5 | 22 | 18 | 50 |
| 9 | Liam Lawson | NZL | Racing Bulls | 43 | 15 | 6 | 20 | 16 | 27 |
| 10 | Pierre Gasly | FRA | Alpine | 42 | 14 | 4 | 20 | 16 | 26 |
| 11 | Arvid Lindblad | GBR | Racing Bulls | 23 | – | – | – | – | – |
| 12 | Franco Colapinto* | ARG | Alpine | 19 | 20 | 8 | 0 | 0 | 19 |
| 13 | Oliver Bearman | GBR | Haas | 18 | 19 | 6 | 8 | 7 | 11 |
| 14 | Gabriel Bortoleto | BRA | Audi | 10 | 17 | 3 | 14 | 11 | -1 |
| 15 | Carlos Sainz | ESP | Williams | 6 | 16 | 1 | 16 | 13 | -7 |
| 16 | Alexander Albon | THA | Williams | 5 | 8 | -8 | 54 | 44 | -39 |
| 17 | Esteban Ocon | FRA | Haas | 3 | 10 | -7 | 27 | 22 | -19 |
| 18 | Nico Hulkenberg | GER | Audi | 2 | 9 | -9 | 37 | 30 | -28 |
| 19 | Fernando Alonso | ESP | Aston Martin | 1 | 11 | -8 | 26 | 21 | -20 |
| 20 | Lance Stroll | CAN | Aston Martin | 0 | 12 | -8 | 26 | 21 | -21 |
| 21 | Valtteri Bottas | FIN | Cadillac | 0 | – | – | – | – | – |
| 22 | Sergio Pérez | MEX | Cadillac | 0 | – | – | – | – | – |
* Após o Grande Prémio de Miami em 2025, a Alpine decidiu colocar Franco Colapinto no lugar de Jack Doohan. Assim, até à paragem de Verão da respectiva temporada, o piloto argentino apenas havia disputado oito corridas, ao passo que os outros pilotos haviam realizado 14.
E a classificação do Mundial de Construtores com o respectivo ajustamento face à época passada:
| Pos 2026 | Equipa | Pts 2026 | Pos 2025 | +/- Pos | Pts 2025 | Pts 2025 Ajustados | +/- Pts |
| 1 | Mercedes | 379 | 3 | 2 | 236 | 194 | 185 |
| 2 | Ferrari | 307 | 2 | 0 | 260 | 214 | 93 |
| 3 | McLaren | 220 | 1 | -2 | 559 | 461 | -241 |
| 4 | Red Bull | 177 | 4 | 0 | 194 | 160 | 17 |
| 5 | Racing Bulls | 66 | 8 | 3 | 45 | 37 | 29 |
| 6 | Alpine | 61 | 10 | 4 | 20 | 16 | 45 |
| 7 | Haas | 21 | 9 | 2 | 35 | 29 | -8 |
| 8 | Audi** | 12 | 7 | -1 | 51 | 42 | -30 |
| 9 | Williams | 11 | 5 | -4 | 70 | 58 | -47 |
| 10 | Aston Martin | 1 | 6 | -4 | 52 | 43 | -42 |
| 11 | Cadillac | 0 | – | – | – | – | – |
** A Audi competiu em 2025 como Kick Sauber.
A Fórmula 1 regressa no fim-de-semana de 21 a 23 de Agosto para o GP dos Países Baixos. A corrida sprint ocorrerá no dia 22 pelas 11h, ao passo que o Grande Prémio se irá disputar no domingo, dia 23 de Agosto, tendo partida agendada para as 14h.









