Renault-8-Gordini-Concept-3

Renault revive o 8 Gordini com 270 cv elétricos

A Renault pegou num dos seus nomes mais lendários e voltou a colocá-lo na estrada. Chama-se Renault 8 Gordini Concept e é, como o nome sugere, um exercício de estilo: um coupé elétrico de dois lugares, com 270 cv, que reinterpreta o pequeno desportivo francês dos anos 60 sem cair na tentação da nostalgia pura. A revelação aconteceu esta semana, no Renault Carwalk, e o carro vai ficar em exposição no stand da marca no Salão Automóvel de Paris, entre 12 e 18 de outubro.

A ideia não é nova na casa francesa. Nos últimos cinco anos, a Renault tem andado a mexer no seu arquivo e a ressuscitar modelos icónicos como peças únicas — foi assim com o R17 restomod assinado por Ora Ïto e com o Renault 5 Diamant, um art car criado com Pierre Gonalons. Este 8 Gordini segue a mesma lógica, mas com uma diferença: é 100% Renault no design. O projeto nasceu de um concurso interno que rendeu mais de 300 esboços espontâneos. Dois foram escolhidos para virar maquetes à escala 2:5 e, no fim, juntou-se o melhor de cada um numa proposta final. Nada mau para um exercício que começou com um desafio atirado aos designers da casa.

Motor elétrico rompe com o passado do Gordini

Nas medidas, o carro é compacto e assenta baixo: 4,12 metros de comprimento, 1,88 de largura e apenas 1,27 de altura. Tem jantes de 19 polegadas à frente e 20 atrás, uma opção que, além de dar presença, sugere visualmente o movimento — uma referência à arquitetura de motor traseiro do original. E é aí que está a maior rutura com o passado: onde antes estava um motor de combustão, está agora um elétrico de 270 cv. O resto é uma tentativa séria de traduzir o espírito Gordini para os dias de hoje.

Essa tradução faz-se sobretudo pelo design. A frente é agressiva, com um desenho em V e seis faróis redondos integrados na carroçaria — uma reinterpretação dos faróis adicionais das versões de ralis. A traseira é larga e musculada, com uma ligeira inclinação que o modelo original não tinha, e as luzes ficam tão niveladas com a superfície que quase desaparecem quando estão desligadas. As cavas das rodas mantêm a forma retangular do original, agora com um aspeto mais musculado, e a dupla faixa branca que tornou o Gordini inconfundível deixou de ser um simples adorno para passar a organizar o próprio design: alinha a grelha na base do para-brisas, o padrão das luzes traseiras e prolonga-se pelo habitáculo, atravessando o topo do painel de bordo, com a cor a passar de branco para azul.

A abordagem estética vai buscar inspiração ao universo “café racer” — a tendência de modernizar motos vintage eliminando o supérfluo e deixando os materiais falar por si. Aqui, isso significa menos plástico, alumínio escovado nos comandos e em grandes superfícies, Alcantara nos revestimentos e um interior deliberadamente despido de distrações. Os mostradores redondos parecem flutuar sobre uma faixa horizontal de alumínio escovado e são, na verdade, ecrãs digitais. O único toque de cor mais vivo é um ponto vermelho no botão do cronómetro, ao centro. Os bancos baquet homenageiam graficamente os do antecessor, com veludo cotelê azul no centro do assento e do encosto. Há ainda costuras nos painéis das portas que imitam os corretores de uma pista.

A cor também não foi deixada ao acaso. O azul inspira-se no Bleu de France do 8 Gordini original, mas aplicado numa construção de três camadas que combina madrepérola com um ligante azul, para dar mais profundidade à tonalidade. Sob a luz, o azul histórico deixa-se entrever nas arestas e revela as linhas esculpidas da carroçaria.

Renault 8 Gordini desde 1964

Vale a pena recuar um pouco para perceber porque é que este nome ainda diz alguma coisa. O Renault 8 Gordini chegou em 1964 com motor traseiro de 95 cv e tração atrás. Era eficaz, mas exigente — pedia mãos experientes. Tornou-se, nas palavras de quem o conduziu, uma autêntica escola de condução para toda uma geração de pilotos, Jean Ragnotti incluído.

Ao colar o nome Gordini a uma versão desportiva de um modelo de produção, a Renault tornou as prestações elevadas acessíveis uma década antes de o fenómeno GTI aparecer. E a dupla faixa branca ficou para a história. Por trás disso estava Amédée Gordini, o “feiticeiro” que começou a trabalhar com a Renault em 1957, no Dauphine Gordini, e que tinha o hábito de dizer ao operador da fresadora exatamente o que cortar, entregando depois a peça ao desenhador para levantar o plano. Magia pura, para qualquer engenheiro.

O Renault 8 Gordini Concept não vai para produção — é um exercício exploratório, assumido como tal. Serve para emocionar e para manter viva a história da marca, e vai juntar-se ao espólio que a Renault está a reunir no futuro museu Renault Collections, em Flins, cuja abertura ao público está prevista para dentro de cerca de quinze meses. Até lá, fica a ideia de que, mesmo sem motor de combustão, ainda há espaço para um Gordini.

LusoMotores

Sondagem

O que procura na informação do LusoMotores?

View Results

Loading ...

Rádio LusoSaber

Facebook

Parcerias

Subscreva a nossa Newsletter

Inscreva-se para receber nossas últimas atualizações na sua caixa de entrada!