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Nissan LEAF 52 kWh Advance: eficiência e conforto, com limites em autoestrada

O Nissan LEAF mudou, naturalmente no design, apresentando-se diferente dos anteriores, mas também na ambição, surgindo um modelo mais arrojado pela imagem que transporta, claramente positiva e mais consensual. A terceira geração que o LusoMotores teve agora a oportunidade de testar abandona a silhueta de berlina compacta das anteriores e assume a forma de um crossover de 4,35 metros, com tejadilho descendente, puxadores embutidos e uma assinatura luminosa traseira tridimensional. É uma mudança evidente para um modelo cujo nome se tornou um dos mais reconhecidos da mobilidade elétrica. O desenho é distinto e ajuda a distinguir o Nissan numa classe cada vez mais concorrida.

A versão 52 kWh Advance combina a bateria de entrada com um motor dianteiro de 130 kW (177 cv) e 345 Nm. A Nissan indica até 450 km de autonomia combinada WLTP para esta bateria; a autonomia, porém, varia com o equipamento e as condições de utilização, sendo o consumo combinado anunciado de 13,7 a 13,8 kWh/100 km, números que apontam para uma proposta eficiente, embora a autoestrada reduza substancialmente a distância possível entre carregamentos. Aliás, uma viagem num ritmo mais elevado ao longo da A9, a sobejamente conhecida CREL, permite verificar desde logo que o consumo sai penalizado pelo peso do pé direito no pedal do acelerador, e os tais 450 km acabam reduzidos, na prática, para um valor a rondar os 300 quilómetros, dependendo depois do peso que colocarmos sobre o pedal com o pé direito nas velocidades imprimidas.

Resposta pronta,
orientação confortável

Autonomias à parte, este Nissan LEAF é particularmente agradável de conduzir. Ágil, desenvolto, com um pisar pleno de conforto, as sensações que permite são de nível superior. Os 345 Nm entregues de imediato favorecem arranques e recuperações, sobretudo em cidade e nas ultrapassagens em estrada nacional, e se quisermos olhar para a capacidade de aceleração dos 0 aos 100 km/h, anunciada para a versão 52 kWh de 8,6 segundos, num modelo capaz de uma velocidade máxima de 160 km/h, o resultado global é particularmente interessante.

Com tração dianteira, estamos perante um automóvel com potência suficiente para uma utilização familiar, claramente focado numa capacidade de resposta progressiva, até porque será sempre necessário ter em conta que a condução deste Nissan Leaf é basicamente divertida e agradável, mas não podemos esperar o comportamento de um modelo desportivo porque não o é de facto.

A suspensão dianteira independente MacPherson e o eixo traseiro multilink resultam numa configuração capaz de equilibrar conforto e controlo da carroçaria, uma vez mais a apoiar a boa sensação permitida durante a condução. Estamos assim perante um veículo elétrico confortável, ágil e fácil de conduzir, com uma resposta divertida que transmite tranquilidade e segurança ao condutor sem tornar as viagens apáticas ou maçadoras.

Aliás, e por falar em condutor, este pode selecionar diferentes modos de condução e ajustar a regeneração através das patilhas atrás do volante. O e-Pedal permite conduzir recorrendo sobretudo ao acelerador, aumentando a desaceleração regenerativa quando se alivia o pedal. É uma forma de adaptar o carro ao trânsito e ao percurso, sendo que também a intensidade da regeneração e a facilidade de utilização são factores influenciados pela utilização das referidas patilhas.

Espaço e tecnologia a bordo

Com uma lotação de cinco lugares, piso plano e 437 litros de bagageira, este Nissan Leaf apresenta-se espaçoso e confortável, com uma habitabilidade que lhe permite mostrar-se competitivo enquanto crossover compacto, Aliás, o Nissan Leaf revela-se perfeitamente capaz de dar uma boa resposta às necessidades de deslocações familiares ou para uma utilização diária em ambiente mais urbano. O espaço no habitáculo, em particular atrás quando ali viajam três passageiros, não se transforma numa enorme sala, mas também será nunca a questão do espaço que será factor impeditivo a uma viagem mais prolongada.

Na versão Advance, o painel de instrumentos e o ecrã central têm 14,3 polegadas cada. O sistema NissanConnect integra serviços Google, incluindo Google Maps com planeamento de rota e paragens de carregamento, bem como Apple CarPlay e Android Auto. A aplicação NissanConnect Services permite consultar o estado do automóvel e gerir funções à distância, como o carregamento e a climatização.

Bons materiais e uma qualidade percebida de nível superior no habitáculo colocam este Nissan LEAF num patamar elevado quando comparado com a concorrência, destacando-se o ambiente digital e o desenho contemporâneo do espaço interior. A configuração Advance acrescenta equipamentos de conforto e tecnologia face às versões de acesso, tudo isto num modelo em que a ergonomia dos comandos e o comportamento dos sistemas em utilização prolongada deixam uma boa sensação a quem os utiliza, seja o condutor propriamente dito ou os passageiros a bordo.

Carregamento e autonomia:
o que dizem os números

A bateria de 52 kWh admite carregamento rápido DC até 105 kW, com tomada CCS2. Dependendo do carregador, é possível ir ao encontro das características anunciadas pela Nissan segundo a qual é possível em menos de 30 minutos carregar dos 20% aos 80% de carga da bateria, o que resulta em qualquer coisa como uma recuperação de cerca de 277 km de autonomia. Já em corrente alternada, o carregador de bordo admite até 11 kW e o carregamento pode ser conseguido num total de 5h45m.

A distância real permitida por carga não deve ser confundida com o máximo WLTP. A própria Nissan publica uma autonomia estimada de 224 km a 130 km/h para a bateria de 52 kWh, muito abaixo dos até 450 km anunciados como autonomia deste Nissan LEAF.

No ensaio realizado pelo LusoMotores ficámos convencidos que a tal “autonomia estimada”, com uma condução livre de condicionalismos, pode ser um pouco maior, na ordem dos 300 a 320 km se não quisermos começar a discutir questões de ansiedade no alcance do próximo posto de carregamento. Contudo, é um facto que para uma viagem mais prolongada e com algumas vias rápidas pelo meio, por vezes com o pé direito mais “solto”, será sempre importante um correcto planeamento dos percursos para não ficarmos parados no meio do nada. Depois, como acontece com qualquer outro veículo elétrico, também com este Nissan Leaf factores como temperatura, velocidade, relevo, carga e climatização podem alterar significativamente a autonomia permitida.

Uma plataforma de aliança,
Sunderland e a história do LEAF

A nova geração deste Nissan LEAF assenta na plataforma AmpR Medium, também designada CMF-EV, arquitetura da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi para veículos elétricos. A Nissan identifica o Ariya como modelo que partilha esta plataforma, encontrando-se a mesma base técnica associada a modelos Renault como o Mégane E-Tech e o Scénic E-Tech. Partilhar arquitetura, porém, não significa que os automóveis tenham o mesmo acerto, equipamento ou comportamento, sendo o Nissan LEAF bem distinto de todos os outros.

O LEAF original chegou ao mercado em 2010 e foi um dos primeiros automóveis elétricos de produção em grande série. A segunda geração, lançada em 2017, aumentou a potência e a capacidade da bateria e introduziu o e-Pedal. Agora, na terceira geração, o LEAF evolui de compacto para crossover, recebe uma plataforma dedicada à mobilidade elétrica, maior autonomia homologada e carregamento CCS2, resultando tudo isto em uma alteração profunda na forma de posicionar o modelo.

A Nissan fabrica o LEAF em Sunderland, no Reino Unido, onde a produção europeia do modelo arrancou em 2013. A fábrica passou a integrar o projeto EV36Zero, que articula produção automóvel, baterias e energia renovável. O LusoMotores já teve oportunidade de visitar esta unidade, ligação que dá contexto próximo à longa relação entre o modelo e a fábrica britânica.

Três pontos fortes

  • Design próprio, que assinala claramente a mudança de geração e distingue o LEAF no trânsito.
  • Eficiência anunciada, com consumo WLTP de 13,7–13,8 kWh/100 km e até 450 km de autonomia para a bateria de 52 kWh.
  • Habitáculo tecnológico e prático, com dois ecrãs de 14,3 polegadas na versão Advance, Google integrado e bagageira de 437 litros.

Três aspetos a melhorar

  • Autonomia em autoestrada limitada face ao valor WLTP: a estimativa da Nissan a 130 km/h é de 224 km para a versão de 52 kWh.
  • Potência de carregamento DC inferior à da bateria de 75 kWh, limitada a 105 kW, com paragens que exigem planeamento em viagens longas.
  • Preço da versão Advance: perto dos 45.700 euros, coloca esta variante frente a alternativas com baterias maiores, pelo que o equipamento e o custo real de compra pesam na decisão.

Preço e concorrência em Portugal

Disponível no mercado nacional a partir dos 45.830 euros para a versão Advance testada pelo LusoMotores, este Nissan LEAF concorre diretamente com modelos como o Kia EV3, com opções de bateria e autonomia superiores nas versões de maior capacidade, ainda o Peugeot E-2008, de dimensão próxima, e o Hyundai Kauai elétrico.

Todos com preços alinhados em valores idênticos, diferem em alguns pormenores, com o Nissan LEAF a conseguir a maior autonomia por apresentar consumos mais reduzidos quando comparado com os concorrentes, sendo que entre estes encontramos alguns argumentos a ponderar, com o Kia EV3 a apresentar a bateria de maior capacidade, e a maior potência, nos 204cv face aos 177cv do Leaf. Nota para a bagageira deste modelo da Nissan, com um volume de 437 litros, valor ligeiramente abaixo do que apresentam o Kia EV3 ou o Hyundai Kauai, ambos nos 460 litros de capacidade.


Ficha técnica — Nissan LEAF 52 kWh Advance

  • Carroçaria: crossover elétrico, cinco lugares
  • Plataforma: AmpR Medium / CMF-EV
  • Bateria: 52 kWh utilizáveis, valor sujeito a homologação
  • Motor: elétrico dianteiro, tração dianteira
  • Potência máxima: 130 kW (177 cv)
  • Binário máximo: 345 Nm
  • Aceleração dos 0 aos 100 km/h: 8,6 s
  • Velocidade máxima: 160 km/h
  • Autonomia combinada WLTP: até 450 km
  • Consumo combinado WLTP: 13,7–13,8 kWh/100 km
  • Carregamento DC: CCS2, até 105 kW; 20–80% em 30 minutos
  • Carregamento AC: até 11 kW
  • Comprimento / largura / altura: 4.350 / 1.810 / 1.550 mm
  • Distância entre eixos: 2.690 mm
  • Bagageira: 437 litros VDA
  • Suspensão: MacPherson à frente; multilink atrás
  • Preço na versão Advance em Portugal: 45.830 euros

Veredicto positivo

O Nissan LEAF 52 kWh Advance representa uma renovação convincente de um nome pioneiro: agora mais próximo de um crossover familiar, com conectividade atual, bagageira generosa e números de eficiência competitivos, apresenta uma bateria de 52 kWh que serve bem uma utilização quotidiana diversificada, ainda que a autonomia estimada a velocidade de autoestrada e a potência de carregamento DC aconselham planeamento nas viagens mais longas.

O desenho distinto e a maturidade do projeto, sem dúvida atraentes e bem conseguidos pela Nissan para a terceira geração deste modelo, são argumentos fortes para que o mesmo consiga impor-se no mercado. Depois, o preço deste LEAF Advance e as exigências de utilização que cada um carece caso aponte o seu uso prioritário para percursos fora da cidade serão argumentos decisivos para saber se este é o carro elétrico certo que procura. Nós gostámos, mas o melhor mesmo é avançar para um ensaio junto de um concessionário da marca para que possa tirar todas as dúvidas.

ensaio: Jorge Reis / LusoMotores

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