A 11.ª edição do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road está a caminho de Portimão e, entre os mais de 300 participantes que atravessam o país de Vila Verde ao Algarve, há cada vez mais estrangeiros. Espanhóis, sul-africanos e motociclistas de vários cantos do mundo voltam ano após ano, atraídos por aquilo que Portugal oferece e que outros países não conseguem igualar: centenas de quilómetros de off-road, paisagens variadas e uma receção difícil de esquecer.
A segunda etapa, que ligou Viseu a Almeirim ao longo de mais de 340 quilómetros, terminou com rostos cansados mas satisfeitos. O percurso pela Beira e pelo Ribatejo teve pistas para todos os gostos, pouco pó e muita diversão, mesmo para quem não escapou a furos, quedas e outros contratempos. No final do dia, junto à praça de touros de Almeirim, os osteopatas da Osteomotus trataram ombros, braços e lombares de quem enfrentou um piso exigente, onde escolher a trajetória certa para fugir a pedras e regos exigiu determinação.

Entre os participantes está Antonio Llanes, espanhol de 67 anos, que regressou este ano com “ganas y mucha ilusión”. A edição de 2025 ficou marcada por um problema no motor da sua Aprilia Tuareg 660, que gripou à porta de casa, em Huelva, obrigando-o a comprar um motor usado na Suécia para conseguir estar presente.
Este ano, sem problemas mecânicos, divertiu-se “imenso no primeiro dia”, mas a segunda etapa trouxe um furo que destruiu o pneu e um descanso lateral partido ao bater numa pedra. Desistir? Nem pensar. Segue para o Algarve e depois rumo a Huelva, com a certeza de voltar em 2027. Diz que em Espanha não se consegue fazer tantos quilómetros em off-road e que Portugal, além de bonito e de se comer bem, tem pessoas que sabem acolher. A idade não o demove: confessa, em tom divertido, que está “cada vez mais enamorado por Portugal”, apesar de achar a gasolina cara.


O maior evento de TT turístico
organizado na Europa
Há também quem atravesse meio mundo para estar presente. Os primos sul-africanos Derek Lubbers e Sean Dunstan voaram de Joanesburgo para Londres, onde têm negócios e família, colocaram as motos numa carrinha e viajaram até Vila Verde. Descobriram o Lés-a-Lés há três anos, durante umas férias em Chaves, e desde então ficaram rendidos. Em Almeirim, o balanço era positivo: uma primeira etapa mais fácil que no ano anterior, com muita pedra mas sem o calor infernal, e um segundo dia “muito, mas mesmo muito divertido”, com pisos com boa tração e ligeiramente escorregadios, fruto da chuva que caiu durante a noite e diluiu o pó esperado ao longo dos eucaliptais.



A terceira e última etapa leva os aventureiros até Portimão, depois de mais 375 quilómetros de descoberta e diversão. A parte inicial terá alguns troços de areia que se estendem até perto de Alcácer do Sal, tornando-se depois mais rápida nos estradões a sul, antes de abordar a serra algarvia. É o maior evento de todo-o-terreno turístico organizado na Europa e, para muitos estrangeiros, a melhor forma de conhecer Portugal fora dos circuitos habituais.
O dia ficou também marcado pela travessia de grandes extensões de eucaliptais, o que serviu de motivação extra para os motociclistas que participaram na 8.ª Campanha de Sensibilização Reflorestar Portugal de Lés-a-Lés. Trocaram as motos pelas pás e ajudaram a plantar 20 sobreiros na Herdade dos Gagos, em Fazendas de Almeirim, uma contribuição para a mudança que se torna urgente na floresta portuguesa, abrindo espaço às espécies autóctones.
A organização é da Federação de Motociclismo de Portugal e a lista de inscritos conta já com mais de 10% de espanhóis, muitos deles repetentes que regressam com mais amigos. O Lés-a-Lés Off-Road confirma-se, edição após edição, como uma prova que une a paixão pelo todo-o-terreno à descoberta de um país que continua a surpreender quem o visita.
















