Lançamento Oficial Geely Portugal (7)

Geely chega a Portugal com um plano de 18 modelos

A Geely já não é propriamente uma desconhecida no panorama automóvel europeu. Mesmo antes de chegar a Portugal como marca independente, o grupo chinês já controlava a Volvo, a Polestar e a Lotus, e tinha participações em marcas como a Smart e a Aston Martin.

Agora, a Salvador Caetano trouxe a insígnia principal para o mercado nacional, com uma gama inicial de três modelos e uma ambição que passa por estar entre os principais players dentro de poucos anos.

Dos frigoríficos em Taizhou para o mundo

A história da Geely começa em 1986, quando Li Shufu fundou a empresa como fabricante de peças para frigoríficos na cidade de Taizhou, na província chinesa de Zhejiang. A entrada no setor automóvel aconteceu em 1997, com uma visão simples mas então revolucionária para a China: produzir carros que as pessoas comuns pudessem pagar. Foi o primeiro fabricante privado de automóveis do país, numa altura em que a indústria era dominada por empresas estatais.

O crescimento foi rápido. Em 2005, a Geely Auto entrou na bolsa de Hong Kong, e em 2010 deu o salto que a tornaria conhecida globalmente: comprou a Volvo à Ford. A partir daí, o grupo foi acumulando marcas e tecnologia, estabeleceu centros de investigação na Suécia e firmou parcerias com a Mercedes-Benz e a Renault. Em 2020, tornou-se a primeira marca chinesa a ultrapassar os 10 milhões de veículos vendidos em todo o mundo.

Hoje, o grupo Geely vendeu mais de 4,1 milhões de viaturas em 2025, com quase 60% dessas vendas a corresponderem a modelos híbridos plug-in e elétricos.

O que já vingou na China

Se há modelo que sustenta a reputação da Geely no mercado de origem, é o Galaxy Xingyuan — que chega a Portugal com o nome E2. Em 2025, foi o carro elétrico mais vendido da China, com 465.775 unidades entregues, batendo diretamente modelos da BYD e da Tesla. É um compacto urbano, com preço acessível e dimensões pensadas para as cidades, e o seu sucesso explica porque é que a Geely o escolheu como a “estrela da companhia” para a estreia europeia.

No segmento dos SUV, a marca tem outros campeões de vendas no mercado chinês. O Bo Yue L (conhecido como Starray em outros mercados) vendeu 219 mil unidades em 2025, sendo o SUV mais vendido no segmento dos 100 mil yuans – aproximadamente 13.290 euros.

Já o Xingyue L, um SUV maior e mais potente, somou 230 mil unidades no mesmo período. São modelos que já provaram a sua aceitação em massa e que agora chegam a Portugal em versões eletrificadas.

Três modelos para começar

A ofensiva portuguesa arranca com três propostas distintas. O E2 é o compacto elétrico, com preços a partir de 21.900 euros (17.800 euros mais IVA para empresas), autonomia WLTP entre 252 e 345 km conforme a bateria, e um posicionamento claramente virado para quem procura um citadino elétrico sem gastar uma fortuna. Tem cinco lugares reais, uma bagageira de 375 litros e um compartimento dianteiro de 70 litros — um detalhe prático que muitos rivais não oferecem.

O E5 é o SUV elétrico de segmento C. Com 218 cv e uma bateria de 60 kWh, anuncia 430 km de autonomia na versão base e chega aos 28.990 euros (mais IVA). Já o Starray EM-i é o híbrido plug-in, combinando um motor a gasolina 1.5 com um elétrico para uma potência combinada de 262 cv e uma autonomia total anunciada de 1055 km na versão com bateria maior. Os preços arrancam nos 28.850 euros (mais IVA).

Os três modelos já obtiveram cinco estrelas nos testes Euro NCAP, um argumento que a marca não se cansa de repetir.

O plano para os próximos anos

Aiden He, CEO da Geely Europa, foi claro na apresentação à imprensa: o primeiro objetivo é “sobreviver e alcançar 1% do mercado” antes de pensar em números mais ambiciosos. Em Portugal, isso significa cerca de 2000 veículos por ano, um patamar que coloca a marca na mira de rivais como a MG ou a BYD, que em 2025 matricularam 4074 e 6059 unidades, respetivamente .

Mas o plano de produto é tudo menos modesto. Até ao final de 2027, a Geely quer ter nove modelos disponíveis em Portugal. Em 2028, esse número deverá subir para 18. A ofensiva inclui um B-SUV que será oferecido com três tipos de motorização — híbrido convencional, híbrido plug-in e 100% elétrico —, um segmento particularmente importante no mercado europeu. Até final de 2027, a gama portuguesa deverá contar com quatro modelos elétricos, quatro PHEV e um HEV.

A produção europeia também está nos planos. A Geely firmou um acordo com a Ford para utilizar a fábrica de Valência, em Espanha, através de uma joint-venture que deverá arrancar no primeiro semestre de 2027, com o primeiro modelo a sair da linha em 2028.

Onde encontrar e contra quem compete

A rede de concessionários arranca com 13 pontos de venda e deverá ultrapassar os 15 até ao final de 2026, com localizações que vão do Porto a Lisboa, passando por Braga, Guimarães, Aveiro, Vila Real, Portalegre, Beja, Évora, Fundão e Ponta Delgada. A ambição declarada é ter “um espaço Geely num raio de 30 quilómetros” para a maioria dos clientes.

A concorrência direta não é difícil de identificar. No segmento do E2, a Geely aponta baterias ao Dacia Spring, ao Renault Twingo e ao Citroën e-C3 — todos elétricos compactos com preços abaixo dos 25 mil euros. No caso do E5 e do Starray, a luta será contra os SUV eletrificados de marcas como a BYD (Atto 3 e Seal U) e a MG (ZS e HS), que já têm presença consolidada em Portugal.

A vantagem que a Geely traz é a escala do grupo e a tecnologia partilhada com marcas premium. Ao invés, a desvantagem é clara: chega atrasada a um mercado onde os concorrentes chineses já construíram redes e reputação. Aiden He admite-o sem rodeios: “Estamos atrasados”, disse, acrescentando que a marca prefere aprender com os erros dos outros do que repeti-los.

Se o plano de 18 modelos se concretizar e a rede de assistência corresponder às expectativas, a Geely tem argumentos para se tornar uma presença relevante. Mas o mercado português é pequeno e feroz, e a marca sabe que a confiança se conquista com pós-venda e fiabilidade a longo prazo, não apenas com preços agressivos.

Jorge Reis / LusoMotores

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