A produção de veículos em Portugal continua a perder terreno. Em setembro, saíram das fábricas nacionais 24.691 automóveis, menos 32,7% do que no mesmo mês de 2025. O recuo não é um caso isolado: entre janeiro e setembro, o acumulado já vai em 231.473 veículos fabricados, uma descida de 10,1% face ao período homólogo.
Olhando para os números por categoria, a quebra sentiu-se em todos os segmentos. Os ligeiros de passageiros, que representam a maior fatia, caíram 34,4% em setembro, para 19.114 unidades. Os ligeiros de mercadorias recuaram 25,9% e os pesados tiveram uma descida de 31,6% . No acumulado dos nove meses, a tendência é semelhante, embora menos acentuada: menos 10,3% nos ligeiros de passageiros e menos 8,4% nos comerciais ligeiros.
Há uma explicação conjuntural para parte deste tombo. Em agosto, a Autoeuropa, a maior fábrica do país, esteve praticamente parada para se preparar para a produção do novo modelo elétrico ID.Every1, e a retoma só aconteceu a 24 desse mês. Mas setembro já não teve essa desculpa, e a produção continuou a cair, o que sugere que a quebra não se explica apenas pela paragem de Palmela.


Apesar do cenário menos positivo na produção, o setor continua profundamente virado para fora. Nos primeiros nove meses do ano, 97,9% dos veículos fabricados em Portugal destinaram-se à exportação. A Europa absorve a esmagadora maioria — 93,1% —, com a Alemanha a liderar (21,2%), seguida de França (12,5%), Itália (12,4%) e Turquia (11,3%). Fora do continente, África mantém-se como segundo mercado (2,9%), com destaque para a África do Sul e a Tunísia, e as Américas aparecem em terceiro lugar (1,6%).
Curiosamente, há um segmento que está a crescer. A montagem de veículos pesados em Portugal subiu 12% em setembro, com 28 unidades, e acumula um crescimento de 16,7% nos nove meses, totalizando 210 veículos montados. Destes, 75,2% foram exportados, tendo a Alemanha (87,3%) e o Reino Unido (12,7%) como únicos destinos.


Vale a pena notar que estes números dizem respeito à produção industrial — o que sai das fábricas — e não às vendas no mercado interno. Na verdade, o mercado português tem dado sinais diferentes: em setembro, quase metade dos carros novos matriculados em Portugal eram 100% elétricos, num crescimento significativo das vendas deste tipo de veículos. Ou seja, o país produz menos automóveis, mas os que vende internamente estão a eletrificar-se a um ritmo notável, o que ajuda a explicar porque é que a produção industrial e o mercado consumidor parecem andar em direções distintas.








