Se é verdadeiramente um fã do desporto automóvel sabe que este fim-de-semana é aguardado desde há muito porque, este ano como todos os demais, por esta altura, as atenções dos ‘petrolheads’ concentram-se naquela que é a mítica prova da resistência automóvel, as 24 Horas de Le Mans. A justificar este facto está a circunstância deste evento não ser apenas uma corrida mas antes um ícone, uma prova de fogo para homens e máquinas, uma competição que transcende o mundo do automobilismo, enraizado na cultura popular, com uma história construída desde 1923, altura em que começou uma maratona de resistência que tem cativado multidões e criado lendas, solidificando o seu lugar como uma das maiores competições desportivas do mundo.
A primeira edição das 24 Horas de Le Mans aconteceu nos dias 26 e 27 de maio de 1923, organizada pelo Automobile Club de l’Ouest (ACO). Trinta e três bravos pilotos enfrentaram um circuito de 17.261 metros, naquele que era um desafio inédito de resistência. A ideia era simples: o carro que percorresse a maior distância em 24 horas seria o vencedor. Essa regra, embora aparentemente simples, esconde a complexidade e a imprevisibilidade de uma prova que testa os limites da durabilidade e da performance.
O Circuit de la Sarthe, uma combinação de ruas e vias rápidas que ligam as cidades de Le Mans, Mulsanne e Arnage, evoluiu ao longo dos anos. Originalmente sem chicanes, o traçado foi sendo adaptado para aumentar a segurança e a competitividade. Atualmente, possui 13.626 metros e 38 curvas, mantendo a sua essência de um percurso de alta velocidade e elevada exigência técnica.
A corrida foi interrompida apenas em períodos de conflitos, fossem bélicos ou laborais. Assim, os carros não rodaram no traçado de la Sarthe em 1936, ao em que decorreram greves gerais em França, mas também entre 1940 e 1948, por conta da Segunda Guerra Mundial. Guerras e conflitos à parte, as 24 Horas de Le Mans mostraram uma singular resiliência perante as adversidades, algo que ajudou a reforçar o seu estatuto de competição lendária.
A Tradição: Muito mais
do que apenas uma corrida


As 24 Horas de Le Mans são ricas em tradições que contribuem para sua mística, e entre elas está, desde logo, a famosa “Largada de Le Mans”, com os pilotos a cruzarem a pista em corrida para entrarem nos seus carros e poderem aí dar início à competição propriamente dita. Hoje em dia os pilotos partem para as 24 Horas a partir do interior dos carros, mas a verdade é que aquela imagem que perdurou por muitos anos, quando a largada era feita com os pilotos a correr para os seus carros, uma imagem icónica que simbolizava a urgência e o desafio da prova.
As tradições, porém, não se ficavam por aqui, começando desde logo pelo “Desfile de Pilotos”, sempre na sexta-feira que antecede a corrida, quando os pilotos desfilam pelas ruas de Le Mans, interagindo com os fãs e criando uma atmosfera de celebração e proximidade.
Outra tradição que hoje é transversal às competições automóveis mas cujo início aconteceu em Le Mans é o “Banho de Champanhe” para os campeões no pódio. Hoje um acto obrigatório mas banal, criou tradição depois das suas raízes terem surgido em Le Mans, com o primeiro banho de champanhe a ficar registado em 1967 depois de uma vitória da equipa Shelby-American, com o carro Ford GT40 Mk.IV, pilotado pela dupla americana Dan Gurney e A.J.Foyt. Tratou-se, nesse ano, da segunda de quatro vitórias consecutivas para a Ford em Le Mans, consolidando a sua rivalidade histórica com a Ferrari, que havia dominado a prova nos anos anteriores, tendo a prova desse ano, de 1967, quebrado o recorde de distância percorrida na prova.




Ainda a propósito de tradições das 24 Horas de Le Mans não poderia ser esquecida a “Noite de Le Mans”, isto porque a corrida noturna é um espetáculo à parte, com os carros a iluminar a pista, criando uma atmosfera única e desafiadora para os pilotos e equipas, e culminando com o nascer do sol que se transforma num novo desafio para os pilotos, por essa altura já cansados e que têm que enfrentar o encadeamento natural do astro-rei.
Dos desafios à grande tragédia!
Afinal, se estas são tradições naturais resultante da duração da prova, acabam por ser também curiosidades que conferiram às 24 Horas de Le Mans o estatuto de prova realmente mítica.
Desde logo, estamos perante aquele que é visto como o “Desafio Supremo de Resistência”, isto porque, mais do que velocidade, Le Mans exige durabilidade, significando uma vitória a capacidade do carro capaz de suportar 24 horas de pilotagem extrema, mas também por parte da equipa e dos pilotos de conseguirem manter a concentração e o ritmo por um período tão prolongado.
Particularmente importante em Le Mans é a “Inovação Tecnológica”, isto porque esta prova sempre foi um campo de testes para novas tecnologias. Muitos avanços em aerodinâmica, motores, pneus e materiais foram testados e desenvolvidos na corrida, impulsionando a indústria automóvel. O Audi R10 TDI, o primeiro protótipo a diesel a vencer em 2006, é um exemplo claro dessa busca por inovação.



Mas há mais capítulos a ter em conta quando se fala em Le Mans, nomeadamente os “Confrontos Épicos de Construtores”. As rivalidades entre grandes marcas como Ferrari, Ford, Porsche e Audi, ao longo das décadas, criaram momentos históricos e dramáticos, como a famosa rivalidade Ford vs. Ferrari nos anos 60. Todos buscaram, e buscam ainda hoje, a conquista do risco e a obtenção da glória, numa prova em que a sua natureza extenuante, a alta velocidade e a imprevisibilidade do tempo (chuvas repentinas são comuns) tornam cada vitória ainda mais significativa. Momentos de drama, acidentes e recuperações heroicas fazem parte da narrativa de Le Mans.
Ao longo dos anos as 24 Horas de Le Mans passaram a fazer parte da cultura popular, e filmes no grande ecrã como “Le Mans” (1971), protagonizado por Steve McQueen, e o recente “Ford vs Ferrari” (2019), que em Portugal recebeu o título de “Le Mans ’66: O Duelo”, realizado por James Mangold com Christian Bale no papel de Ken Miles, um brilhante e temperamental piloto de corridas britânico e engenheiro, e Matt Damon no papel de Carroll Shelby, um ex-piloto de corridas americano que se torna designer e construtor de carros, ajudaram a eternizar e a deixar uma marca ainda mais indelével da prova na mente do grande público.




Como não poderia deixar de ser, e porque falamos de automobilismo, os acidentes também marcam a história desta prova, e o ano de 1955 ficará marcado a fogo como a edição da grande tragédia, isto porque ocorreu nesse ano aquele que ainda hoje é recordado como o maior acidente da história do automobilismo. Um Mercedes-Benz envolveu-se num acidente que matou 83 espectadores e o próprio piloto, Pierre Levegh, uma tragédia que acabou por motivar a implementação de mudanças significativas na segurança das corridas.
Tom Kristensen… o Sr. Le Mans


Le Mans viu o triunfo de grandes nomes do automobilismo, tanto pilotos quanto construtores e equipas, e entre os pilotos há um que se destaca, o de Tom Kristensen, apelidado de “Sr. Le Mans”, dinamarquês nascido a 7 de julho de 1967, em Hobro, sendo o maior vencedor da história desta maratona de la Sarthe, com 9 vitórias, entre 1997 e 2013, tendo garantido um recorde inigualável de seis triunfos consecutivos entre 2000 e 2005.
Outro nome que gravou o seu nome a letras de ouro em Le Mans foi o belga Jacky Ickx, com 6 vitórias, entre 1969 e 1982, tendo sido por muito tempo o recordista e um dos grandes nomes da era de ouro dos protótipos. Nomes como Derek Bell, Emanuele Pirro, Frank Biela (com 5 vitórias cada) e Sébastien Buemi (4 vitórias, incluindo duas com Fernando Alonso) também são lendas de Le Mans.
Porsche é a marca
mais vitoriosa em Le Mans

Sendo certo que os pilotos deixaram os seus feitos, as marcas automóveis conseguiram igual feito, com a germânica Porsche no topo das mais vitoriosas, com um total de 19 triunfos, incluindo uma sequência impressionante de 7 vitórias consecutivas entre 1981 e 1987.
Com 13 vitórias surge no pódio dos grandes vencedores a Audi, marca que dominou grande parte do século XXI, sendo pioneira em diversas tecnologias.
Um destaque muito particular para a vitória conseguida pela Porsche em 2017, quando o Porsche 919 Hybrid #2, pilotado por Earl Bamber, Timo Bernhard e Brendon Hartley, sofreu um problema mecânico (no sistema do eixo dianteiro) nas primeiras horas da corrida, o que os fez perder mais de uma hora nas boxes e cair para o 56º e último lugar, com 18 voltas de desvantagem para os líderes.
No entanto, a corrida de Le Mans é famosa pela sua imprevisibilidade. Ao longo das horas seguintes, enquanto a Porsche se esforçava para recuperar terreno, os protótipos da Toyota, que vinham dominando a prova e eram grandes favoritos, começaram a ter problemas mecânicos e acidentes dramáticos. O Toyota #7, que liderava com folga, abandonou com problemas de caixa, e o Toyota #9 também teve um acidente.


Isso abriu caminho para a improvável recuperação do Porsche #2 que, tirando partido dos problemas dos seus rivais (incluindo o outro Porsche #1, que também teve problemas graves), conseguiu escalar o pelotão e, numa reviravolta surpreendente, assumir a liderança na fase final da corrida, garantindo a vitória geral, reclamando aquela que foi mesmo um dos triunfos mais épicos e improváveis na história de Le Mans, e um testemunho da resiliência da Porsche e da “maldição” que parecia assombrar a Toyota na altura.
A história de Le Mans, porém, começou bem mais cedo, com a Ferrari a somar diversos títulos e conseguir com isso uma rica história nesta prova de 24 horas. Com 11 vitórias, a Ferrari garantiu triunfos lendários nos anos 40, 50 e 60, e um retorno vitorioso nos últimos anos.

Nota ainda para a Joest Racing, nome que tem que ser considerado quando se fala em equipas vencedoras em Le Mans, tendo este conjunto participado nesta prova de resistência com carros Porsche e Audi, possuindo um total impressionante de 15 vitórias em Le Mans, sendo a equipe com mais triunfos.
Os Grandes Derrotados
Em todas as competições, se há vencedores que passam por ser aplaudidos para todo o sempre, há também aqueles que dificilmente será esquecidos pelos seus infortúnios. Também em Le Mans, a linha entre a glória e a derrota é ténue. Muitos carros e equipes que eram favoritos à vitória sucumbiram à dureza da prova.
Toyota… o amargo da derrota
sobre a linha de meta!


Entre aqueles que podem ser apontados como os derrotados de Le Mans, pelos menos em determinados períodos da história da competição, encontramos, por exemplo, a Toyota, num período anterior a 2018. Por muitos anos, a Toyota foi a “grande derrotada” de Le Mans, e após inúmeras tentativas e lideranças confortáveis nas últimas horas da corrida, a equipa japonesa sofreu quebras dramáticas e acidentes que a impediram de conquistar a vitória geral.
O caso mais emblemático aconteceu em 2016, quando o carro #5, liderando com folga na última volta, avariou de forma drástica, entregando a vitória à Porsche. Há que frisar, no entanto, que a Toyota superou essa “maldição” com as suas vitórias a partir de 2018.
Igualmente entre os derrotados, a Nissan também teve uma história de frustrações em Le Mans, especialmente com projetos ambiciosos para os quais foram canalizados rios de dinheiro e recursos e que não se concretizaram em vitórias.
Exemplo desse tipo de apostas por parte deste construtor nipónico foi o Nissan GT-R LM Nismo, em 2015, um carro inovador que enfrentou dificuldades técnicas e que nunca vingou no traçado de la Sarthe.
Peugeot… quando a derrota se traduz
pela ausência de um aileron

Ainda no capítulo dos derrotados é incontornável o nome da Peugeot, construtor que ainda hoje continua a apostar num modelo que acredita ser competitivo mas que já deu conta de dificilmente conseguirá atingir a glória. Com efeito, após a vitória em 2009, a Peugeot tentou regressar com um carro competitivo na era Hypercar, mas ainda não conseguiu repetir o sucesso, enfrentando desafios de performance e confiabilidade.
O Peugeot 9X8, é dele que falamos, foi na verdade um dos carros mais aguardados e radicais na nova era da categoria Hypercar do Campeonato Mundial de Endurance da FIA (FIA WEC) e, por extensão, das 24 Horas de Le Mans. Com um design radical e inovador, quando foi apresentado em Julho de 2021, o 9X8 chocou o mundo do automobilismo pelo seu design futurista e, mais notavelmente, pela ausência de um aileron traseiro convencional.
A Peugeot Sport argumentou naquela época que conseguiu alcançar a downforce necessária através de um design de piso e difusor extremamente sofisticado e inovador, explorando ao máximo as brechas e liberdades do regulamento da classe Hypercar (LMH). A promessa passava por conseguir um carro com menor arrasto aerodinâmico (drag) nas retas, o que seria uma vantagem significativa em Le Mans, e ao mesmo tempo capaz de gerar downforce suficiente para as curvas, sem a necessidade daquele que é um dos elementos aerodinâmicos mais proeminentes em carros de corrida.

A Peugeot, que tem uma história de sucesso em Le Mans (incluindo vitórias com o 905 e o 908 HDi FAP), apostou alto nesta abordagem. Infelizmente para a Peugeot, a promessa do 9X8 sem aileron não se concretizou em resultados expressivos nas pistas, especialmente em Le Mans, num carro que não conseguiu consistentemente acompanhar o ritmo dos seus concorrentes diretos, como Toyota e Ferrari, em termos de performance geral e, crucialmente, de consistência ao longo de uma corrida de endurance.
Entre as falhas estiveram claramente os problemas de equilíbrio aerodinâmico. A ausência do aileron traseiro, embora inovadora, pareceu tornar o carro mais imprevisível e difícil de pilotar em certas condições, especialmente na hora de encontrar um equilíbrio aerodinâmico ideal para diferentes circuitos. Os pilotos muitas vezes relataram dificuldades em extrair o máximo do carro. Depois, embora a Peugeot tenha feito progressos na fiabilidade, o ritmo de corrida puro e a capacidade de lutar pelas vitórias gerais não estiveram à altura das expectativas.
Certo é que, perante as dificuldades e a falta de resultados no topo, a Peugeot tomou a decisão estratégica de reintroduzir um aileron traseiro no 9X8 para a temporada de 2024 do WEC. Esta alteração significativa (juntamente com outras revisões aerodinâmicas e mecânicas, como a alteração na distribuição de peso e na largura dos pneus) foi uma admissão de que o conceito original, apesar de radical, não estava a entregar o desempenho esperado para competir pela vitória.

Embora ainda seja cedo para dizer se esta versão revista trará o sucesso desejado, o Peugeot 9X8 original, sem aileron traseiro, é o modelo que simboliza a aposta audaciosa da Peugeot que, infelizmente, se revelou um “falhanço” relativo nas suas tentativas de voltar ao topo das 24 Horas de Le Mans. Não foi um falhanço total no sentido de não conseguir completar a corrida, mas sim na sua incapacidade de ser um verdadeiro competidor à vitória geral, apesar de toda a inovação e expectativa gerada.
Le Mans com história feita
também na língua de Camões
Naquilo que a nós, os portugueses, nos interessa, definitivamente há história escrita por pilotos portugueses nas 24 Horas de Le Mans, e é uma história cada vez mais rica e vitoriosa. É que embora Portugal não tenha um histórico tão longo de vitórias na geral como algumas nações dominantes, os pilotos portugueses têm demonstrado grande talento e alcançado feitos notáveis em diversas classes, contribuindo significativamente para a lenda de Le Mans.
Filipe Albuquerque



Olhando assim para os nomes mais proeminentes e para as suas conquistas, temos que atentar em Filipe Albuquerque, sem dúvida, um dos nomes mais fortes do endurance português. Vencedor das 24 Horas de Le Mans (Classe LMP2) em 2020, Albuquerque tem neste triunfo o seu feito mais marcante em Le Mans, ao volante de um Oreca 07 da equipa United Autosports, partilhando o carro com Phil Hanson e Paul di Resta. Esta foi uma vitória histórica para Portugal na LMP2, uma das classes mais competitivas da prova.
Todavia, Filipe Albuquerque tem um longo currículo em Le Mans, com múltiplas participações na LMP1 (a categoria principal, agora Hypercar) e LMP2, consistentemente lutando pelos lugares da frente e somando pódios. Ele é um dos nomes mais respeitados no panorama internacional de protótipos. Além de Le Mans, Albuquerque tem um palmarés impressionante, incluindo vitórias nas 24 Horas de Daytona e o Campeonato Mundial de Endurance da FIA (FIA WEC) na classe LMP2.
António Félix da Costa



Outro nome a ter em conta quando se fala de Le Mans em português é o de António Félix da Costa, um dos pilotos portugueses mais versáteis e com experiência em diversas categorias do automobilismo. Entre os seus feitos, este piloto venceu as 24 Horas de Le Mans (Classe LMP2) em 2022, ano em que, juntamente com Roberto González e Will Stevens, Félix da Costa conquistou a vitória na LMP2 ao volante de um Oreca 07 da Jota Sport.
António Félix da Costa já subiu ao pódio em Le Mans (2º lugar em LMP2 em 2020) e tem tido participações regulares na prova, mostrando sempre ritmo e consistência. Em 2023, Félix da Costa fez a sua estreia na categoria principal, Hypercar, com a equipa Hertz Team JOTA, demonstrando a sua capacidade de se adaptar aos carros de topo.
Pedro Lamy



Veterano das corridas de endurance e uma figura icónica do automobilismo português, Pedro Lamy é outro piloto luso a ter em conta quando se fala de Le Mans. Com um vasto número de participações nas 24 Horas de Le Mans, tendo corrido por várias equipas e em diversas classes (GT1, LMP1, GTE Am), Lamy somou várias vitórias de classe e pódios em Le Mans, destacando-se a sua vitória na categoria GTE Am em 2012 com a Larbre Compétition.
Enquanto piloto oficial da Peugeot, Pedro Lamy foi um elemento chave no projeto de protótipos LMP1 do construtor francês (com o 908 HDi FAP) entre 2007 e 2011, e esteve muito perto de vencer a corrida à geral em várias ocasiões, mostrando sempre grande velocidade e fiabilidade. A sua experiência e contribuição para o desenvolvimento dos carros são amplamente reconhecidas.
Henrique Chaves



Um nome mais recente, mas já com uma vitória de classe em Le Mans é o de Henrique Chaves, vencedor das 24 Horas de Le Mans (Classe GTE Am) em 2022, um triunfo ainda mais impressionante já que aconteceu naquela que foi a sua prova de estreia no mítico traçado de la Sarthe. Por essa altura, Henrique Chaves conquistou a vitória na classe GTE Am ao volante de um Aston Martin Vantage AMR da equipa TF Sport, sem dúvida um feito notável para um estreante.
João Barbosa


Piloto com uma carreira sólida no endurance, principalmente nos Estados Unidos, mas com participações em Le Mans, também João Barbosa tem todo o direito e merecimento para ser referido na história de Le Mans feita em português, possuindo no seu palmarés um pódio na classe LMP2 (3º lugar em 2011) e várias participações consistentes na prova.
Miguel Pais do Amaral


Empresário e piloto amador, com participações relevantes Miguel Pais do Amaral liderou a equipa Quifel-ASM Team, com várias participações na classe LMP2, tendo inclusivamente vencido o campeonato Le Mans Series na LMP2 em 2009.
De uma forma resumida, os portugueses têm assim, de facto, uma história em Le Mans que, embora talvez não tão antiga quanto a de outras nações, é certamente marcada por múltiplas vitórias em classes importantes (LMP2, GTE Am), presença consistente de pilotos ao longo dos anos com nomes reconhecidos internacionalmente, contribuição para o desenvolvimento de protótipos de ponta (como Pedro Lamy com a Peugeot), e sem dúvida talento e velocidade que colocam os pilotos portugueses entre os melhores do mundo no automobilismo de resistência.
A bandeira portuguesa já se ergueu várias vezes no pódio de Le Mans, e o futuro parece promissor com a nova geração de pilotos a surgir e a lutar pela vitória, incluindo na categoria Hypercar.
24 Horas de Le Mans
de 2025… a 93ª edição!

A edição de 2025 das 24 Horas de Le Mans, a 93ª da história, promete ser mais uma vez um espetáculo de alta voltagem. Com a categoria Hypercar consolidada, a competição está mais acirrada do que nunca.
A introdução das regras LMH (Le Mans Hypercar) e LMDh (Le Mans Daytona h) trouxe de volta vários grandes construtores para a disputa da vitória geral, aumentando significativamente a emoção da corrida. Fabricantes como Ferrari, Toyota, Porsche, Peugeot, Cadillac, BMW, Lamborghini e Alpine, entre outros, investiram “forte e feio” para conquistar a glória em Le Mans.

A Ferrari, vencedora das últimas edições, provou ser uma força a ser reconhecida, quebrando a hegemonia da Toyota. A rivalidade entre essas duas marcas no topo da categoria Hypercar é um dos pontos altos da competição, sendo que a presença de marcas lendárias com novos protótipos Hypercar revigora a competição e atrai ainda mais a atenção do público.
Cada fabricante busca a vitória para validar suas tecnologias e reafirmar a sua excelência em engenharia. Depois, além dos Hypercars, as categorias LMP2 (Le Mans Prototypes 2) e LMGT3 (Le Mans Grand Touring 3) também garantem corridas emocionantes, com pilotos talentosos e equipas independentes a lutar pelas suas próprias vitórias de classe. A LMGT3, aliás, baseada nos regulamentos FIA GT3, promete uma grelha diversificada de carros de rua modificados.

Certo é que as 24 Horas de Le Mans continuarão a ser um teste implacável de resistência, exigindo estratégia perfeita, paragens nas boxes eficientes, pilotagem impecável e, acima de tudo, um toque de sorte para superar as armadilhas do Circuit de la Sarthe, nomeadamente as condições climáticas imprevisíveis e a fadiga.
Por tudo isto, a 93ª edição será mais um capítulo na rica história de Le Mans, com a promessa de emoções fortes, momentos inesquecíveis e, certamente, a consagração de novos heróis no panteão do automobilismo mundial. A lenda continua.









