O setor automóvel em Portugal continua a demonstrar resiliência e um dinamismo assinalável, com o mês de Setembro de 2025 a registar um notável crescimento de 13,8 por cento no total de veículos novos matriculados, comparativamente ao período homólogo de 2024. Este impulso, que se traduziu na entrada em circulação de 20.544 novos veículos no nono mês do ano, acentua-se num período pré-eleitoral, onde a mobilidade e as infraestruturas urbanas estarão, inevitavelmente, no centro do debate para as próximas eleições autárquicas.
Os números globais, de Janeiro a Setembro de 2025, agora revelados pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP), confirmam uma tendência positiva. Foram matriculados 199.714 novos veículos, um aumento de 6,8 por cento face aos primeiros nove meses do ano anterior.
O salto dos elétricos
e a nova mobilidade local
A maior fatia do crescimento continua a ser impulsionada pelos automóveis ligeiros de passageiros, que registaram um aumento de 12,9 por cento em Setembro, totalizando 16.999 unidades. No acumulado do ano, este segmento cresceu 8,7 por cento.
É, contudo, na transição energética que se encontram os dados mais relevantes para a discussão da mobilidade futura nas cidades e concelhos. Os veículos movidos a energias alternativas representaram 67,6 por cento das matrículas de ligeiros de passageiros no acumulado do ano. Em particular, os veículos 100% elétricos (BEV) dispararam, alcançando uns impressionantes 29,3 por cento do mercado de ligeiros de passageiros em Setembro, e totalizando 21,4 por cento no período de Janeiro a Setembro.
Este aumento massivo na adoção de veículos elétricos lança um desafio claro aos candidatos às câmaras municipais. A expansão e manutenção da rede de carregamento pública, a criação de benefícios fiscais municipais e o planeamento urbano que contemple zonas de emissões reduzidas e estacionamento facilitado para estes veículos deverão ser tópicos incontornáveis nas promessas eleitorais. A forma como cada autarquia irá adaptar o seu território a esta nova realidade será um fator decisivo para os eleitores.
Segmentos de mercadorias e pesados
com evoluções distintas junto do público
No segmento dos ligeiros de mercadorias, Setembro registou um crescimento de 13,3 por cento (2.707 unidades), mas o acumulado do ano revela uma quebra de 2,7 por cento, atingindo 23.007 unidades. Esta contração acumulada no transporte comercial ligeiro poderá refletir incertezas económicas ou atrasos nas frotas, um ponto a ser analisado pelas futuras lideranças autárquicas no que respeita ao apoio às pequenas e médias empresas locais.
Já o mercado de veículos pesados (passageiros e mercadorias) teve um setembro excecional, com um aumento de 36,9 por cento (838 veículos). No entanto, de Janeiro a Setembro, o segmento regista uma variação negativa de 6,8 por cento. O investimento em infraestruturas e a gestão logística de mercadorias, responsabilidade que recai em grande parte sobre as autarquias e as suas infraestruturas viárias, estão intrinsecamente ligados a estes números, tornando-se mais um tema central para as plataformas eleitorais.
O crescimento robusto do mercado automóvel, aliado à aceleração da mobilidade elétrica, exige uma resposta coordenada e célere dos futuros executivos camarários. Os eleitores, em particular os ligados ao mundo motorizado e à logística, aguardam agora para ver quais as propostas concretas que cada candidato apresentará para garantir que o crescimento do setor é acompanhado por infraestruturas e regulamentação que promovam uma mobilidade mais eficiente e sustentável a nível local.









