O mercado português de veículos de duas e três rodas (ciclomotores, motociclos e triciclos) fechou o mês de Setembro de 2025 em forte alta, registando um crescimento significativo de 12,1 por cento face ao período homólogo do ano passado. No total, foram matriculadas 4.610 unidades no nono mês do ano, um sinal positivo para o setor. Contudo, esta performance mensal não foi suficiente para anular o balanço negativo do ano, com o período acumulado de Janeiro a Setembro a evidenciar uma queda de 3,2 por cento, totalizando 36.802 veículos novos matriculados.
O segmento das quatro rodas ligeiras, representado pelos quadriciclos, seguiu um caminho menos favorável, tanto no mês como no acumulado. Em Setembro de 2025, a categoria L registou uma quebra de 3,6 por cento, com 135 veículos matriculados. No período de nove meses, a queda é ainda mais acentuada, fixando-se nos 5,2 por cento face a 2024.
Motociclos puxam a retoma mensal
Os motociclos foram, inequivocamente, o motor do crescimento de Setembro. Com 4.416 unidades, o segmento cresceu 12,2 por cento no mês, impulsionado sobretudo pelas cilindradas superiores. Os modelos com mais de 125 cm³ registaram um notável aumento de 23,8 por cento em Setembro, o que lhes garante um crescimento acumulado de 3,5 por cento no ano. Em contraste, os motociclos até 125 cm³, embora tenham crescido 1,0 por cento no mês, continuam a ser o segmento mais penalizado no acumulado, com uma quebra de 8,2 por cento de Janeiro a Setembro.
De destacar o bom desempenho das motorizações alternativas no setor das duas rodas: os motociclos elétricos cresceram 5,1 por cento no acumulado anual, totalizando 349 unidades, uma exceção notável à tendência de queda geral.
Quedas relevantes nos Ciclomotores, Triciclos e Elétricos Ligeiros
Apesar da subida em Setembro (8,3%), o mercado de ciclomotores continua a sofrer uma das maiores contrações anuais, com uma quebra homóloga de 23,5 por cento nos nove meses. A descida é transversal, mas é gritante nas motorizações elétricas, que caíram 46,1 por cento no acumulado.
Os triciclos duplicaram o seu desempenho em Setembro com um salto de 57,1 por cento (11 unidades), mas a pequena dimensão do mercado leva a um acumulado ainda em terreno negativo, com uma descida de 22,6 por cento no total anual.
No segmento dos quadriciclos, onde se incluem os Minicarros e os ATV’s, a quebra anual de 5,2 por cento é transversal. Os Minicarros sentiram uma descida de 4,5 por cento nas matrículas anuais, apesar do forte crescimento dos modelos elétricos (+21,5%). Já os ATV’s apresentaram uma queda de 9,4 por cento nos nove meses.
Em suma, Setembro trouxe um balão de oxigénio ao mercado motorizado ligeiro em Portugal, sustentado pelo entusiasmo nas motociclos de média e alta cilindrada. No entanto, a performance anual sugere que o setor, fora alguns nichos de motociclos e o crescimento pontual dos modelos elétricos em algumas categorias, enfrenta um período de retração que deverá exigir cautela na análise do último trimestre de 2025.









