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Trump volta à carga contra automóveis europeus com tarifas de 25%

O cenário do comércio automóvel transatlântico voltou a ser abalado por uma investida protecionista da administração dos Estados Unidos (EUA). O presidente Donald Trump anunciou, no dia 1 de maio de 2026, que a partir da próxima semana as tarifas de importação sobre carros e camiões provenientes da União Europeia (UE) serão aumentadas para 25%. A justificação pública apresentada por Trump é a de que o bloco europeu não estaria a cumprir a totalidade do acordo comercial firmado com Washington em agosto do ano anterior.

O aumento de tarifas sobre os automóveis e camiões fabricados pelos países da União Europeia surge na sequência do desaguisado recente de Trump com o chanceler alemão, Friedrich Merz, e com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que levou o presidente  a ameaçar retirar militares dos EUA dos dois países europeus. Agora, através da sua rede social Truth Social, Donald Trump, escreveu que “uma vez que a União Europeia não está a cumprir o acordo comercial integralmente acordado, na próxima semana aumentarei as tarifas sobre os automóveis e camiões da União Europeia que entrem nos Estados Unidos. A tarifa será elevada para 25%.”

Falando esta sexta-feira na Casa Branca, Trump defendeu que o aumento de tarifas irá levar os fabricantes europeus a localizar fábricas nos EUA, criando postos de trabalho e riqueza no seu país. Na rede Truth Social salientou que “se os automóveis e camiões forem fabricados em fábricas localizadas nos Estados Unidos, não será imposta qualquer tarifa”. Trump aventou ainda que “atualmente, há muitas fábricas de automóveis e camiões em construção, com um investimento superior a 100 mil milhões de dólares. Estas fábricas, com mão-de-obra americana, abrirão as suas portas muito em breve.”

As anteriores tarifas de Trump foram invalidadas pelo Supremo Tribunal dos EUA, em Fevereiro, obrigando o presidente a impor uma taxa global temporária de 10%, que deverá ser prolongada pelo Congresso em Julho. Antes, em meados de 2025, a União Europeia aceitou uma tarifa de 15% sobre a maioria dos produtos enviados para os EUA em troca da importação da maior parte dos produtos norte-americanos com tarifas de 0%, um acordo comercial que aguarda ainda ratificação por Bruxelas, depois de o Parlamento Europeu ter solicitado salvaguardas.

Este movimento, comunicado através da rede social Truth Social pelo presidente norte-americano, representa um duro golpe nas relações comerciais entre as duas potências e surge como uma clara tentativa de forçar a indústria automóvel europeia a deslocar a sua produção para solo americano.

Incumprimento ou atraso?
A origem do contencioso

Para compreender o que está na base desta nova ameaça, é necessário recuar ao verão de 2025. Na altura, Trump e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alcançaram um entendimento em Turnberry, na Escócia, que ficou conhecido como o “Acordo de Turnberry”. Nesse pacto, os EUA comprometeram-se a reduzir as tarifas sobre os automóveis europeus para 15% (uma descida face aos 25% que já tinham sido aplicados a nível global no início desse ano), enquanto a UE se comprometeu a eliminar as suas tarifas sobre produtos industriais americanos e a aceitar as normas de segurança e emissões dos veículos dos EUA.

No entanto, o que para Washington era um acordo fechado, para Bruxelas ainda está em processo de ratificação. A implementação do pacto do lado europeu tem sido lenta, com a legislação necessária ainda a ser negociada entre os Estados-membros e o Parlamento Europeu. As previsões apontavam que o processo legislativo estaria concluído apenas em junho de 2026. Esta morosidade legislativa europeia é apontada por Trump como uma violação do espírito e da letra do acordo, justificando assim a reimposição da sobretaxa de 25%.

Do lado europeu, a reação foi de imediato repúdio e frustração. Bernd Lange, influente presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, classificou a decisão como “inaceitável” e uma prova de que os Estados Unidos são um parceiro “não fiável”. Lange refutou as acusações de Trump, afirmando que a UE está a honrar os compromissos e que, na realidade, tem sido Washington a violar repetidamente o acordo, nomeadamente ao impor tarifas sobre centenas de produtos de aço e alumínio.

Ainda assim, Bruxelas mantém, para já, um tom de cautela, afirmando que procura esclarecimentos, embora não descarte a possibilidade de retaliação. Analistas e figuras da indústria alertam para as graves consequências de uma escalada. A Associação Alemã da Indústria Automóvel (VDA) apelou a uma rápida acalmia no conflito, avisando que o aumento das tarifas dispararia os custos para ambos os lados do Atlântico. Porém, ao mesmo tempo, o diretor do Instituto Alemão de Investigação Económica (DIW), Marcel Fratzscher, foi mais longe, defendendo que a Europa deve adotar uma postura mais firme, incluindo a aplicação de tarifas retaliadoras sobre produtos e empresas tecnológicas dos EUA.

Investimentos recorde nos EUA:
A estratégia que está a funcionar?

Enquanto pressiona a Europa, Donald Trump tem vindo a utilizar a sua política de tarifas como um trunfo para atrair investimento direto para o solo americano. O presidente tem destacado repetidamente que a ameaça de tarifas levou a um aumento significativo do investimento na indústria automóvel dos EUA, descrevendo-o como “recorde” na história do setor, com mais de 100 mil milhões de dólares a serem canalizados para novas fábricas e expansões.

Um dos exemplos mais paradigmáticos desta estratégia foi anunciado poucas semanas antes da ameaça à UE. A gigante sul-coreana Hyundai comprometeu-se a investir 5.8 mil milhões de dólares na construção de uma siderúrgica em Ascension Parish, no estado norte-americano da Luisiana. Durante o anúncio, Trump não deixou de sublinhar que este investimento é uma prova de que as “tarifas funcionam muito bem”, reiterando que, ao fabricar nos EUA, a Hyundai não pagará quaisquer tarifas. Este tipo de investimento serve de pano de fundo para a pressão atual sobre os fabricantes europeus como a Mercedes-Benz, BMW e Volkswagen, que são agora confrontadas com um dilema entre absorver os custos das tarifas ou acelerar a transferência da produção.

Com as tarifas prometidas para a próxima semana e a UE ainda a decidir como responder, os mercados já reagiram negativamente, com as ações dos gigantes automóveis a registarem quedas, enquanto o setor aguarda o desfecho deste mais recente capítulo da política comercial de Trump.

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