Com a chegada do ano ao final é tempo de balanços e análises do que se passou, do que passou sem deixar marcar e daquilo que, ao invés, veio para ficar, como há umas décadas se disse com os automóveis vindos do país do sol nascente. Hoje, a origem do poderio automóvel é igualmente o continente asiático, mas o país que surge dominante é a China, um mercado que rapidamente passou da cópia dos modelos ocidentais à criação das suas próprias tendências, exportando-as e conquistando o velho continente europeu.
2025 foi assim o ano em que o mundo automóvel testemunhou uma mudança de poder irreversível. Em termos de construtores, a ascensão meteórica da BYD, tornando-se não apenas numa força disruptiva, mas na marca mais emblemática do ano, foi o acontecimento central que redefiniu o setor a nível global e teve um impacto direto também em Portugal e no panorama da realidade do automóvel na Europa.
- BYD: A Marca do Ano de 2025
A coroação da BYD justifica-se por um desempenho global sem precedentes. A nível mundial, vendeu um recorde de 4,6 milhões de veículos em 2025, consolidando a sua posição entre os maiores fabricantes do mundo. No primeiro semestre, já tinha atingido a 4ª posição global em vendas (2 milhões de unidades), com um crescimento de 31% que a colocava a desafiar a Ford pelo pódio.
O sucesso do construtor chinês foi validado por conquistas qualitativas: em abril, o modelo Dolphin Surf foi distinguido com o prémio “World Urban Car” no prestigiado World Car Awards, tornando-se no primeiro automóvel de uma marca chinesa a vencer esta competição global. Em dezembro, no Reino Unido, foi eleita a “Marca Mais Emocionante de 2025”. Este duplo reconhecimento (volume e qualidade) marca um ponto de viragem histórico, confirmando a BYD como líder em mobilidade elétrica a par da Tesla.
- A Reação Europeia e o Novo Papel de Portugal
Em contraste com o dinamismo global, o mercado europeu mostrou fragilidade, com o número de registos de novos veículos a cair 1.9% no primeiro semestre. No entanto, este contexto tornou a presença da BYD ainda mais notória. Portugal, como porta de entrada na Europa, sentiu esta tendência. A BYD está a afirmar-se no mercado português, posicionando-se como “líder em carros elétricos e na transição para as novas energias” com uma gama em expansão.
O grande marco para a Europa foi anunciado no salão IAA de Munique: a BYD confirmou o Dolphin Surf como o primeiro modelo a ser fabricado na sua nova fábrica na Hungria. Isto significa que veículos BYD “feitos na Europa, para a Europa” passarão a chegar também ao mercado português. Paralelamente, a quota de automóveis produzidos na China vendidos na UE subiu para 6%, um sinal claro da pressão competitiva que está a obrigar os fabricantes tradicionais a responder.
- Uma Indústria Sob Pressão
e o Automobilismo em Transformação
O setor viveu um paradoxo: o volume de vendas globais cresceu, mas as receitas e os lucros caíram drasticamente devido a uma “guerra de preços” feroz, particularmente na China. Este ambiente de incerteza foi agravado por tensões comerciais e custos elevados na Europa.
No automobilismo, 2025 foi um ano de consolidação da transição energética, embora os resultados de busca não detalhem eventos específicos em Portugal. A nível global, a pressão por tecnologias sustentáveis continuou a moldar as competições, desde a Fórmula E até aos campeonatos de ralis, que também vivem a sua própria transformação tecnológica.
2025 foi o ano da BYD
O balanço de 2025 é claro: o ano pertenceu à BYD. A marca não só cresceu em volume de forma espetacular como também, por entre inúmeros nomes de outras marcas chinesas, conquistou ela própria o reconhecimento qualitativo do setor e dos consumidores. Para Portugal e para a Europa, este fenómeno traduz-se na chegada iminente de veículos de uma potência global produzidos localmente, acelerando a transição elétrica e forçando uma redefinição urgente da estratégia industrial europeia.
O mundo automóvel global sai assim de 2025 apresentando-se mais competitivo, mais elétrico e com um novo líder incontornável no tabuleiro, ainda que com muitas dúvidas no horizonte sobre os caminhos a seguir na industrialização e na eletrificação efectiva dos mercados, e com os construtores outrora reis a serem obrigados a repensar estratégias e, senão a copiar os que outrora copiavam, pelo menos a analisar os caminhos indicados a partir do oriente longínquo.









