Em pleno Dia do Pai lembrei-me de um post que encontrei há alguns dias em uma qualquer rede social que me fez parar, não pela música, não pela imagem associada que já nem me lembro qual era, mas claramente pela mensagem, na qual explicava a missão do pai comparando-a à de um condutor ao longo da nossa vida. E a verdade é que a comparação não podia ser mais feliz e interessante!
Contava então o referido post que o pai começa por ser aquele que conduz o nosso carro, connosco atrás na cadeirinha de criança, sem termos qualquer opinião sobre caminhos ou paragens, mas com um sorriso no rosto ou dormindo descansados durante a viagem porque sabemos que aquele nosso ídolo que vai ao volante toma as melhores decisões por nós. A determinada altura já conseguimos interrogar, temos ansiedade de chegar e até tentamos opinar, achando até que temos alguma razão a partir daquele lugar secundário que é o banco traseiro para o condutor que segue ao volante.
Com o caminhar da vida, passamos para o banco do lado do condutor, observando e recolhendo informação como uma esponja. Passamos depois para o lugar do volante, mas ainda com o pai no banco do pendura, como o nosso navegador, dando-nos as melhores indicações e corrigindo trajectórias, apontando caminhos e avisando para os perigos da estrada.
A determinada altura, porém, encontramos outras companhias para sentarmos ao nosso lado, na condução como na vida, e o pai passa para o banco traseiro, ainda assim atento e disponível a dar-nos uma mão e o seu conselho sempre avisado.
Os quilómetros da vida não param e o nosso carro vai enchendo, porventura deixando pouco, ou por vezes nenhum, espaço para o nosso pai, que fica ainda assim observando quando nos vê passar, atento e preocupado quanto orgulhoso e realizado por ver a nossa condução. Por essa altura, o pai passa a ser aquela ajuda mecânica quando a vida trava o nosso carro e precisamos de uma ajuda de emergência, sabendo que o nosso pai está invariavelmente lá.
Um dia, porém, deixa de estar, fisicamente, mas por tudo aquilo que nos transmitiu e deu durante todos os nossos quilómetros de viagem, continua a ser o nosso GPS, o melhor Waze, que recordamos com carinho e que procuramos replicar em opções na estrada e na vida.
Dava tudo para ter de novo no banco do pendura o meu melhor co-piloto!

Jorge Reis – jornalista desde 1988, numa carreira iniciada aos 22 anos na Agência Lusa depois de uma primeira aventura no mundo da rádio quando descobriu a magia da comunicação, então na Rádio Mais, passou por diversos jornais desde o Correio da Manhã, a revista Golo, ainda O Jogo, 24horas e Diário de Notícias, antes de avançar para a informação online com a LusoSaber que fundou, dirige, e onde está até hoje desde 2000. Acredita que é possível navegar contra a maré negativa que atravessa o jornalismo e insiste em querer ser livre e caminhar nas ruas enquanto português e cidadão do Mundo, sempre de cabeça levantada.









