Num dos mais recentes ensaios realizados para o LusoMotores saímos para a estrada com o Jeep Compass 1.5 TG E-Hybrid 48v 130cv DCT North Star, modelo que representa a aposta da marca na eletrificação suave, combinando eficiência com a versatilidade que se espera de um SUV da Jeep. Antes, porém, de perceber a realidade deste modelo, será importante entender o contexto da marca Jeep, uma marca americana com uma história rica e um legado inconfundível, nascida nos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial com o icónico Willys MB.
Nascida num ambiente particularmente adverso, rapidamente a Jeep tornou-se sinónimo de robustez, capacidade off-road e espírito aventureiro. Ao longo das décadas evoluiu, expandindo a sua gama de modelos para incluir SUVs mais vocacionados para o uso familiar e urbano, mas sempre mantendo a sua essência de liberdade e exploração. Hoje, a Jeep é reconhecida pela sua herança de veículos 4×4, que são sinónimo de superação de obstáculos e de uma ligação forte com a natureza e o ar livre. Nos últimos anos, porém, a Jeep tem-se adaptado às exigências do mercado, apostando na eletrificação e em tecnologias mais sustentáveis, sem descurar a sua identidade.
Sobre este Jeep Compass 1.5 TG E-Hybrid 48v 130cv DCT North Star que se encontra no mercado português e que tivemos oportunidade de testar, representa a aposta da marca na eletrificação suave, combinando eficiência com a versatilidade que se espera de um SUV da Jeep. Impulsionado por um motor 1.5 turbo a gasolina de quatro cilindros, que debita 130 cavalos de potência, é auxiliado por um sistema híbrido suave (mild-hybrid) de 48V.
A transmissão é automática, de dupla embraiagem (DCT), com seis velocidades, numa configuração que lhe permite uma condução mais eficiente em termos de consumo de combustível, especialmente em ambiente urbano, onde o sistema híbrido pode recuperar energia em desaceleração e apoiar o motor a gasolina. Em termos de prestações, os 130cv proporcionam uma aceleração q.b. para as necessidades do dia-a-dia, sendo um carro mais focado no conforto e na economia do que em performances desportivas.



O sistema e-Hybrid permite breves momentos de condução totalmente elétrica a baixas velocidades e em manobras, contribuindo para a redução de emissões e ruído.
Se eventualmente já questionou o batismo desta versão do Compass como North Star, usada neste modelo, mas também no Jeep Renegade, não se refere a uma característica mecânica ou a um tipo de motorização, mas sim a um pacote de estética e equipamento que a Jeep oferece. Este construtor utiliza frequentemente nomes evocativos para as suas versões, que remetem para o universo da aventura, da exploração e da ligação com a natureza e “North Star” (Estrela do Norte) evoca a ideia de orientação, guia e aventura, alinhando-se com a imagem de marca da Jeep.
Neste caso específico, a versão North Star foi lançada para celebrar um marco de vendas da Jeep (um milhão de unidades vendidas do Renegade e Compass na Europa) e visa oferecer uma combinação particular de design aprimorado, com elementos visuais exclusivos, jantes de liga leve específicas e detalhes de acabamento que a distinguem das outras versões.
Embora as versões e-Hybrid 1.5 TG de 130cv sejam de tração dianteira, a designação North Star reforça o posicionamento da Jeep no espírito de aventura, mesmo que o modelo em questão seja mais vocacionado para o asfalto. Estamos assim perante um nível de acabamento que adiciona um toque distintivo e um conjunto de equipamentos ao Jeep Compass, realçando a sua imagem e conforto.



Design e posição de condução
a destacar pela positiva
Olhando para a realidade deste Jeep Compass identificamos desde logo os seus pontos positivos, sendo um dos seus grandes trunfos o design apelativo e robusto, que mantém a identidade Jeep. No interior, a versão North Star oferece um ambiente confortável e bem equipado, com materiais de boa qualidade e uma montagem sólida. O sistema de infoentretenimento é intuitivo e compatível com Apple CarPlay e Android Auto. A posição de condução elevada e a boa visibilidade são apreciadas, especialmente em cidade, surgindo como outro ponto sem dúvida positivo na análise a esta proposta da Jeep.
A capacidade da bagageira, não sendo propriamente enorme, pode ser apelidada de adequada para uma família média. Depois, em termos dinâmicos, a tecnologia híbrida de 48V contribui para uma condução mais suave e para consumos mais controlados em diversos cenários, distinguindo-o de versões puramente a combustão.



Vivacidade e preço
serão fatores a melhorar
É claro que encontrámos pontos a melhorar num modelo em que, apesar dos 130cv, a aceleração surge algo “presa” em determinadas situações, principalmente em autoestrada ou em ultrapassagens.
O sistema mild-hybrid, embora eficiente, não oferece a mesma capacidade de condução puramente elétrica de um híbrido plug-in, o que pode ser um ponto a considerar para quem procura uma maior autonomia elétrica com respostas mais vivas e imediatas.
O preço de aquisição pode ser igualmente um fator limitador quando se analisa a possibilidade de aquisição deste Jeep Compass, posicionando-o num segmento competitivo onde outras opções oferecem talvez mais potência ou um sistema híbrido mais robusto pelo mesmo valor. A transmissão DCT, embora eficiente, pode por vezes apresentar alguma hesitação em baixas velocidades ou em arranques.

Tração dianteira pensada
para aventuras urbanas
Embora a Jeep seja conhecida pela sua tradição em veículos 4×4, as versões e-Hybrid de 130cv do Compass são concebidas para uma utilização mais urbana e eficiente, com a tração focada no eixo dianteiro. Para quem procura as capacidades 4×4 mais robustas num Compass, terá de optar pelas versões híbridas plug-in (4xe) ou, em alguns mercados, por outras motorizações que oferecem a tração integral.
Apesar de estarmos perante um modelo de tração dianteira não se poderá tirar a conclusão de que é menos divertido de conduzir ou menos eficiente, até porque na verdade é apenas diferente, ao jeito de um qualquer veículo que não se amedronta perante as exigências das cidades, seja no “pára arranca” por vezes constante, seja nos pisos menos regulares ou nos passeios mais elevados que por vezes temos que subir.

O comportamento dinâmico do Jeep Compass 1.5 TG E-Hybrid 48v 130cv DCT North Star pode assim ser resumido como equilibrado e confortável, otimizado para o uso quotidiano. Graças à sua tração dianteira, é um veículo previsível e fácil de conduzir em ambiente urbano e em estrada. A suspensão, embora firme o suficiente para conter o rolamento da carroçaria, absorve bem as irregularidades do piso, proporcionando um bom conforto para os ocupantes.
É certo que não estamos propriamente perante um carro com pretensões desportivas, até porque a sua condução foca-se na suavidade e na eficiência. A caixa automática de dupla embraiagem (DCT) contribui para trocas de caixa fluidas, embora possa apresentar ligeira hesitação a baixas velocidades. Em suma, o Compass North Star oferece uma experiência de condução tranquila e segura, ideal para deslocações familiares e pendulares, sem surpreender em termos de agilidade ou desempenho em curva.
Conectividade intuitiva
e boa assistência à condução
Olhando para o pacote tecnológico embarcado neste Jeep Compass North Star, encontramos um bom nível de equipamentotendo em conta as necessidades do condutor moderno. No capítulo do infoentretenimento, encontramos no painel dianteiro habitáculo um ecrã tátil central com um sistema intuitivo, oferecendo compatibilidade com Apple CarPlay e Android Auto, permitindo que o condutor replique facilmente as funções do seu smartphone, como navegação, música e chamadas.

Igualmente presente no Jeep Compass estão os sistemas de assistência à condução (ADAS), que se traduzem num conjunto de tecnologias que aumentam a segurança e facilitam a condução.
Entre os mais comuns, podemos aqui encontrar o controlo de velocidade de cruzeiro adaptativo (ACC), que mantém automaticamente a distância para o veículo da frente, ainda a assistência à manutenção na faixa de rodagem (Lane Keep Assist), que ajuda a manter o carro centrado na faixa, ou a travagem autónoma de emergência (AEB), sistema que deteta obstáculos e pode ativar a travagem para evitar ou mitigar colisões, entre outros sistemas e equipamentos.
| Ficha Técnica |
| –Motorização: 1.5 E-Hybrid 48V –Cilindrada: 1469 cm3 –Potência: 130 cv – Binário: 240 Nm –Caixa de velocidades: Automática de seis relações –Aceleração (0-100 km/h): 10 segundos –Consumo (WLTP): 5,9 L/100km –Emissões de CO2: 126 g –Largura/Altura/Comprimento: 1809/1629/4404 mm –Distância entre eixos: 2636 mm –Bagageira: 438 litros –Preço: 49.074 Euros |
Plataforma partilhada
na flexibilidade da Stellantis
O Jeep Compass, na sua geração atual, partilha a plataforma Small Wide (ou Small Wide 4×4, que é uma evolução) com outros modelos dentro do grupo Stellantis. Esta estratégia de plataformas modulares é comum na indústria automóvel para otimizar custos de desenvolvimento e produção.
Os modelos mais notáveis que partilham esta plataforma com o Jeep Compass são o Jeep Renegade, tido como o “irmão” mais pequeno do Compass e um dos primeiros a usar esta plataforma, mas também o Fiat 500X o crossover da Fiat que também é construído sobre a mesma base.
Esta partilha de plataforma permite à Jeep beneficiar da sinergia do grupo Stellantis, integrando tecnologias e componentes comprovados em diferentes modelos, enquanto ainda consegue dar ao Compass a sua identidade e capacidades distintas. É uma prática comum na indústria automóvel, onde a base é partilhada mas o design, afinação de suspensões, motorizações (com as devidas adaptações) e equipamentos são específicos de cada modelo e marca.

Veredicto final… uma escolha
sólida com um toque de aventura
Concluído o ensaio do Jeep Compass 1.5 TG E-Hybrid 48v 130cv DCT North Star, fica a clara convicção de que estamos perante uma opção sólida para quem procura um SUV com o carisma e a herança da marca Jeep, aliados a uma motorização mais eficiente. Longe de modelos trialeiros da Jeep, é certo, mas capaz de dar resposta aos desafios diários de quem adota este modelo como seu parceiro no dia-a-dia da cidade para si e a sua família.
Estamos assim perante um veículo que se destaca pelo seu design, conforto e um bom nível de equipamento, e embora não seja um desportivo, cumpre bem o seu propósito como um SUV familiar e versátil, com uma ligeira vantagem em termos de consumo graças à sua tecnologia híbrida suave.
Resulta assim numa escolha a considerar para quem valoriza a estética e a reputação da Jeep, sem ter propriamente a necessidade de um sistema híbrido plug-in mais complexo ou de prestações mais elevadas e de uma robustez superiores.
E se por esta altura estará a questionar-se quanto terá que desembolsar para adquirir esta proposta da Jeep, dizemos-lhe que lhe irá custar qualquer coisa como 49.074 euros para a versão testada pelo LusoMotores, um valor afinal alinhado com a concorrência no segmento tendo em conta o nível de equipamento desta unidade.
| Notas Finais | (0-10) |
| Design | 7,5 |
| Materiais | 7,0 |
| Equipamento | 7,0 |
| Comportamento dinâmico | 7,8 |
| Espaço interior | 6,8 |
| Conforto | 6,8 |
| Posição de condução | 7,3 |
| Insonorização | 6,8 |
| Conectividade | 7,5 |
| Entretenimento | 7,2 |
| Prestações | 6,5 |
| Consumos | 6,5 |
| Percepção de qualidade global | 7,2 |
| Avaliação Final | 7,1 |
As avaliações nos diferentes aspectos, naturalmente subjectivas, são feitas pelo LusoMotores, ajustadas ao segmento do modelo em apreço.
Uma explicação para a nota relativa ao comportamento dinâmico, valor que se destaca pela boa resposta dada no capítulo da agilidade deste modelo que, mesmo de tração dianteira, consegue disponibilizar aquele espírito aventureiro próprio da marca em apreço.









